sábado, 24 de abril de 2010
... 2
Ficou louco. Fez da sua droga um alívio pra sua droga de vida e entorpeceu-se até nascer novamente. Um encontro com os santos, beatos e mártires um tanto quanto eloquente. Ficou louco. Pegou toda sua infância e a ignorou, pegou toda sua perspectiva e a publicou. Ficou rouco. De tanto gritar pra perto todos e a anfitriã dos mesmos. Achou pouco. Mandou todos embora e agora quer paz no seu inferno. Ficou louco.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
... 1
Ficou louco. Viu três em tudo e decidiu dividir também sua vida em três. Escolheu uma pra viver. Ficou louco. Bebeu três cafés: pra acordar da vida, pra amargurar os sonhos, pra esquentar a fé. Ficou rouco. De tanto se calar e rosolveu gritar. Achou pouco. Então deixou sua lucidez em algum lugar. Ficou louco.
sábado, 17 de abril de 2010
Acho que entendi
Uma conversa do tipo quase sem querer, olho no olho e nada a valer, nada a provar. E de repente, bem do nada, falando-se de algo que não me pertence, me envolve ou cabe a mim saber, surge uma frase. Ouvi e todas as minhas partes absorveram essa idéia, minhas sensações consentiram-na e meu olhar respondeu: entendi o que você quis dizer e mais, obrigada por ter dito isso.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
...
Tem dia que as coisas ficam mesmo cinzas e que o vento sopra diferente. São dias que passam, que voltam, e nessa oscilação eu me encontro naquele canto e vejo como embora eu tenha crescido, algumas coisas não mudaram. Eu sempre acreditei que mudariam, que se amenizariam ou que ao menos seriam vistas de outra maneira. Doem do mesmo jeito. Eu já cansei disso e sempre acho que qualquer um cansaria. Não adianta eu tentar mudar o tom do meu dia, nem tentar mudar o frio que hoje faz. Estou parada, fazendo o que a rotina manda, estou mais quieta mas agitada por dentro. Aquela vontade de pausar o mundo por mais irreal que seja sempre vem em minha mente e um sorriso tolo e satírico nasce. Hoje ando na direção contrária e não sei onde vou chegar. Tenho vontade de correr, de correr pra onde eu possa realmente ficar parada, mas não existe esse lugar. Talvez eu precise mesmo de mais calor das pessoas, mas tenho medo dos meus espinhos, do que eles fariam. Queria uma dose de vontade na veia, queria um veneno antimonotonia como disse um grande poeta, queria não querer nada do que quero e querer algo que posso. Não vou falar aqui que preciso mudar meu jeito de ver as coisas ou minhas expectativas, pois isso já virou clichê no que se trata de mim. Eu queria me ver em algo que não seja em mim mesma, em alguém, em algum lugar, em alguma coisa, em alguma música, em algum passado e até em algum futuro. Nos olhos de alguém, onde eu me sinta aconchegada e divida aquele meu canto ou quem sabe até saia de lá.
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'Eu quase posso tocar o silêncio'
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