domingo, 5 de setembro de 2010


Não, não é indiferença. Isso só os ressentidos alcançam. Quero é sentir menos energias. Quero mais concentração, enxergar minha estrada e só. Nem olhar a poeira que ficou para trás. Nem decifrar as miragens que minha imaginação traça sobre o horizonte. Correr de olhos fechados até que minha minha mente se esvazie de tudo que não me pertence. Preciso ser um pouquinho mais egoísta, por uns tempos. Contradições me embaraçam, me elevam e me soterram. Sufoco. Não, que me calar o que! A vida vai me tocar como sempre, eu é que ainda vou perceber menos isso. Vai doer menos, eu sei. Eu espero. Olhos me olham e provocam tanta coisa. Aliás, alguns olhos. Outros são apenas nada pra mim. Enquanto esses alguns, a, esses alguns... me fazem realizar meu sonho de infância de atuar. Sou atriz da minha vida. Lembrei daquela história de 'seja protagonista da sua vida, não fique na platéia', coisas desse tipo. Mas não falo disso, desse clichê. Porquê sinceramente, foda-se se a vida é um teatro ou um filme de hollywood. O fato é que ela é uma só e assunto encerrado. E pra minha vida, minha e tão de tanta gente, insisto nas minhas mudanças. É assim que vivo, sofro e cresço. Caio e luto. Não importa, eu dô meu jeito, tenho cartas na manga. Dobro insistências, passados e medos. Enfrento. Medo? Tenho e tenho muito, quem não tem? Mas não paro. Nunca paro. Sou mesmo esse agito todo e quem me olha nem percebe. As pessoas não sabem ler. Eu quero desaprender um pouco do pouco que sei. Mas não tenho pressa. Enquanto conseguir me manter de pé, relutarei. E se o cansaço vier? ... que vá embora logo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Insistência



Fecho os olhos e feito mágica, filme de terror, ainda vejo aquela árdua dor. Hoje é uma dor calma, afiada e afinada no meu tom. Amena, porém persuasiva. Sua retórica me põe no seu jogo e me convence de coisas que por tempos chego a esquecer, me olha com meus próprios olhos de outrora, me enche de mim. Se impregna em minha pele, só pra ser lembrada. Dor maliciosa. Persistente. Já foi louca e viva, feroz. Hoje é calma, lenta e em ventos frios se converte, chega em qualquer estação. E por mais que eu me liberte, sempre fica ou volta.Sempre volta. A dor se tornou sábia e eu não. Ela sabe da vida e de mim, e me esconde o que sabe pra me proteger ou pra me ter nas mãos. Acredito nisso e me prendo a ela. Dor mesquinha. Talvez eu devesse buscar estar exposta, desprotegida. Pra que o vento que soprar, seja forte. O fogo que queimar, seja quente. E o que restar de mim seja fatal, livre.

terça-feira, 20 de julho de 2010



Cuidar é desenhar o amor que se sente.
É amar o desenho que é tatuado na alma.
É sentir que há sempre um sentido.
Cuidar é se doar sem se perder.
É perder a hora.
É fazer amigas, duas individualidades.
Cuidar é pegar para si o que nunca será seu e lutar eternamente para que seja.

terça-feira, 13 de julho de 2010

E só!

Preciso voar.
Meus pés no chão me fazem sentir a fragilidade das minhas raízes, imaturas. Crescem mas pago caro por esse projeto. Até penso em desistir, sanidade demais me incomoda. Precisão me enoja. Quero coisas fortes.
O tempo e o tédio sabem me nocautear. Quero vencer.
Quero viver.
Eu quero a vida com um cheiro forte e bom, feito cheiro de laranja. Quero o gosto doce de um abraço quente. Quero um olhar carinhoso e um medo excitante. Quero falar alto besteiras boas de se dizer. Quero velhas amigas por perto. Quero um pouco de loucura.
Loucura que ostenta vontade. Quero regras pra seguir e quebrar.
Eu quero brincar com coisas sérias, com fogo.
Quero sentir por um instante a vida feito cócegas.
Fechar os olhos e sentir o mundo girar como se eu não o acompanhasse.
Quero analisar menos e esquecer um pouco. Respirar sem culpa, zelo e pressa.

V i v e r e só!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tenho fome de escrever. Minhas idéias um tanto embaraçadas, têm pressa de sair. Puras palavras dispersas querendo virar poesia. Nada de organização. Com palavras apenas torno palpável minha bagunça interior. Uso meus sentidos e tento decifrar-me através de meu espelho, minhas palavras.


E por capricho ou bom gosto, sempre preferi as palavras de difícil digestão.

terça-feira, 22 de junho de 2010



Hoje o calor do sol me veio como uma carícia. Me fez sorrir. Pensei na importância do calor em nossas vidas. O calor derrete o gelo, seca as lágrimas. O calor pode ser forte, eufórico. Pode queimar. O calor modela a alma ao tocar o corpo. O calor fala baixinho em nossos ouvidos, mas sua ausência grita um frio que mata. O calor quer mãos dadas, quer olhar bem quente. Quer suor. O calor é sinal de que a vida está acesa. O calor é um sentido a parte para as coisas incertas. O calor congela e eterniza até o que já se foi, ou o que um dia partirá. O calor dilata o desejo, faz do silêncio uma fala singela e convidativa, voraz. O calor gosta de tudo bem à vontade. Gosta do esforço primeiro, antes do sabor da conquista. O calor faz a gente viver.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ter a si


É tão doce a busca de si mesmo. Não é obrigação, é gosto. Não é coragem, é justamente o medo. É ir em frente sem querer e depois perceber a força que se teve. Não é se programar, é analisar os programas da forma mais subjetiva e abstrata, de uma forma invisível que nos permite voar e cair. Realidade numa bola de cristal. É se frustrar e talvez depois tentar entender. É querer melhorar sem pressa. É se aceitar. É buscar um respeito que se expandirá além de nossos limites. É charme saber de si. Nunca se sabe de tudo, se quer sempre mais. E se acha mais. Sempre. Algumas horas chegamos até a não querer nada, querer se abandonar. Mas esta união é tão intensa, que o desejo da presença de si mesmo, inconscientemente, vence. Prevalece silenciosamente, até acordarmos e vermos que não ficamos de fato sozinhos. Daí, o vazio que sentimos, sentimos de mãos dadas como tudo o que sabemos e não sabemos de nós mesmos, com tudo que somos e já fomos. Mesmo nas horas que odiamos o conhecimento que temos, buscamos mais. É o vício de se ter por perto, não pra controlar nossas atitudes e reações, mas pra gozar do descontrole de se viver, duplamente, consigo e si mesmo. Viver duas vezes numa vida só. Não procurando razão pra tudo, mas encontrando tudo o que tem uma razão pra ser encontrado.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

a g o r a

E nesses ares poluídos e fétidos eu ainda consigo me encher de música.

E como será amanhã?

Ainda me assusto com a maldade das pessoas. Com os sentimentos baixos, estúpidos. Feios. E o preconceito? Não sei como pode existir. Não consigo de maneira alguma aceitar que as pessoas se sintam superiores à outras. Isso não existe, é inadmissível.
Há homens corruptos, ambiciosos, inconseqüentes, ignorantes ... ... que raça mais desprezível, medíocre. Eu sou dessa raça e tenho também tantos sentimentos amargos.
As crianças, a natureza, a perfeição de processos vitais, como não neutralizam o caráter ácido dos seres humanos? Talvez não deixemos,ou até mesmo não queremos ou nós somos mesmo tão ruins que não existe uma cura.