terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu falo

De olhos tão complexos
De cabeça raspada
De menino à homem
Do tráfico às peladas
De ideais não convexos
De fome exagerada
De pernas ágeis
De medo escondido
De mágoas frágeis
De pai foragido
De semanas iguais
De aulas matadas
De ídolo bandido
também de cabeça raspada
De mãe que se vendeu
De futuro único e certo
De quem nunca se surpreendeu
De sorrisos espertos
De boca pra fora
De relógios sem horas
De corrida contra o tempo
De contra tempo o agora que ó o mesmo de ontem
De preconceito como o próprio defeito de disseminá-lo
De educação sem nenhuma razão para ajudá-los
De vida sofrida, vida difícil
De histórias omitidas
Sacrifícios.
De olhos complexos
escondendo a ferida
De esperanças mortas
em vidas mal vividas.
De pernas ágeis e tortas
De frequentes corridas.
De talentos reprimidos
De falta de comida.
De vontade que nada vale
De padrões tão combinados
De voz que nada fale
De destinos determinados, encerrados
De soldados desse mundo
De gente que nasceu pra sofrer
De menino à homem
que quando nasce acaba de morrer
E a escolha é fria, é crua
feita por mim e por você.
Agora os meninos/homens da rua,
nunca ... nunca...
puderam escolher.

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