
Em uma leve brisa de inconstância se escondem felicidades instantâneas que se eternizam. As vezes a falta de proteção, armadura, é também ausência do peso, foi o que aprendi um dia desses. Crescer não significa deixar de ser, significa ser mais, ser menos, ser de vez em quando, significa deixar ser o que parte de dentro quando possível, e quando não é possível, fingir de uma forma inocente e requintada ao ser o que se pede, o que se deve. É ter nas mãos a consciência do que se ocorre e não achar que se tem o controle, pois não se tem. É se entregar sem ir, é ficar e sair do chão. Respirar e sentir as mil sinestesias que provamos da vida. É ler as estrelas e se alienar um pouco. É tocar a realidade e se virar com ela, não se paralisar. É esperar por si mesmo em vez de pelo outro. É se olhar com carinho e se cuidar. É ser livre em seu espaço, mesmo que somente por dentro. É entender a liberdade do outro não como uma forma que nos leve a perdê-lo, mas sim como uma forma de respeitá-lo. É saber que tudo é passageiro, efêmero mas que você pode tornar para sempre algumas coisas. É viver de forma sensata e um pouquinho irresponsável. É enfrentar a gravidade. É estar sempre buscando e renovando. É gritar num papel, num choro numa música quando sufocado. É ter forças para recomeçar. É estar consigo mesmo nas horas em que a fé se ausenta. É saber que não temos o poder de mudar a vida de ninguém, fazer escolhas é inerente a cada um. Mas temos a chance de tentar fazer feliz a custo zero, basta reconhecer quando se vale a pena. É voar e lá de cima se enxergar as misturas pernósticas dessa nossa vida. É sobreviver a essa arrogância dando conta como se pode, se aguenta. É tentar simplesmente ser leve e tranquilo e aproveitar os intantes que cabe a nós fazer o que quiser com eles.
"Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na incostância."
Gregório de Matos
