terça-feira, 8 de junho de 2010

Ter a si


É tão doce a busca de si mesmo. Não é obrigação, é gosto. Não é coragem, é justamente o medo. É ir em frente sem querer e depois perceber a força que se teve. Não é se programar, é analisar os programas da forma mais subjetiva e abstrata, de uma forma invisível que nos permite voar e cair. Realidade numa bola de cristal. É se frustrar e talvez depois tentar entender. É querer melhorar sem pressa. É se aceitar. É buscar um respeito que se expandirá além de nossos limites. É charme saber de si. Nunca se sabe de tudo, se quer sempre mais. E se acha mais. Sempre. Algumas horas chegamos até a não querer nada, querer se abandonar. Mas esta união é tão intensa, que o desejo da presença de si mesmo, inconscientemente, vence. Prevalece silenciosamente, até acordarmos e vermos que não ficamos de fato sozinhos. Daí, o vazio que sentimos, sentimos de mãos dadas como tudo o que sabemos e não sabemos de nós mesmos, com tudo que somos e já fomos. Mesmo nas horas que odiamos o conhecimento que temos, buscamos mais. É o vício de se ter por perto, não pra controlar nossas atitudes e reações, mas pra gozar do descontrole de se viver, duplamente, consigo e si mesmo. Viver duas vezes numa vida só. Não procurando razão pra tudo, mas encontrando tudo o que tem uma razão pra ser encontrado.

4 comentários:

Pontos de Ligação disse...

Simplesmente adorei teu texto. Me deixastes sem palavras!
Realmente ótimo!

Pontos de Ligação disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberta Dornelas disse...

obrigada, que bom que gostou.

Unknown disse...

É justamente o medo.

Adorei essa parte.

Beijos!