sábado, 5 de dezembro de 2009

É, e de súbito eu não controlo mais nada, nem o meu paradigma sobre a arte de controlar. Eu não controlo o que sou, o que posso ser, não controlo meus sentimentos, reações, não controlo minhas opiniões, elas surgem... modelam-se... me escapam, retornam, agem sozinhas, e depois sem pedir permissão, habitam em mim. De repente eu estou vivendo com metafísica a menos e com naturalidade a mais. E a falta de sentido chegou até em horas a me abandonar. E o que eu achava que era, agora vejo que nem sempre é. E o que eu não admitia, chega até a me convencer. Perco minha vontade de respeitar as leis dessa selva, onde ninguém se salva. Perco cada vez mais a disposição para ser quem querem que eu seja, ou o que eu idealizo de mim. Meus instintos, não, não são automáticos! Meus preceitos não tão burocráticos! Não sou uma máquina de repetição. Nâo sou um anteparo de reflexão. Não sou o que já fui, nem o que eu serei! Sou a vida que levo com esse pseudocontrole no qual me fizeram acreditar, e eu quis, porque acreditando é mais fácil, é mais confortante. Tenho jogado fora verdades que nunca existiram. Tenho persistido a uma vida que se exime de tão bela e se retrai de tão audaciosa. Vida esta, que abriga homens que de tanto se julgarem belos e audaciosos, não conhecem a audácia do belo quando na simplicidade surge a chance de se ser um pouco feliz. A mudança pode afiar nossos sentidos, precisamos destruir nossas resistentes e restritivas barreiras!

2 comentários:

Unknown disse...

Bonito!
"Não se pode dormir em mim com essa barulheira."
Aníbal Machado.

Roberta Dornelas disse...

Brigada! Se voc voltar por aqui e ver esse comentário, tem como vc me passar o my space da sua banda? :)