
Tem hora que dá uma vontade gigante e um pouco tola de sair andando.
Andando pra qualquer lugar diferente do que se está.
Eu saio andando nessas horas... Vou pra todos os lugares que tenho vontade.
Pego meu lápis, meu caderno e saio correndo bem depressa.
Sim, isso se chama fuga. Parece fraqueza mas não é, é assim que fico forte no lugar indesejado. É assim que sobrevivo.
Escrevo mares e flores pra me acalmar, escrevo músicas pra me distrair, escrevo amor pra me consolar, escrevo fogo pra me aquecer, escrevo e escrevo e consigo silêncio: consigo perdão.
No lugar indesejado cada um sai andando a sua maneira, uns com pernas, outros com acusações e eu com minhas palavras secretas.
Todos estamos neste mesmo lugar mas estamos a milhas de distâncias um do outro.
Todos temos histórias mas as mesmas não são divididas.
Todos temos medos mas estes não são curados.
Todos temos vontades mas isso não importa, nunca importa.
Todos temos carinho mas essa verdade é muda, proibida parece.
Todos temos ofensas prontas e estas como sabemos usar!
Então cada um sai andando a sua maneira.
Mas eles, eles não econtram o perdão, o silêncio.
Então gritam.
Eles não encontram a paz de espírito, então culpam.
Eles não SE encontram.
Se encontrar é enxergar não só coisas belas, então eles se escondem e mais, ocupam seu tempo com ofensas, exigências, críticas, para não se depararem com eles mesmos otra vez.
Isso é triste, mas não é preocupante. É justificável.
Não posso exigir que cada um dê conta de si mesmo, é difícil.
E pra ser bem sincera, nem quero que eles vivam a vida metafisicamente, procurando aprimorar um autoconhecimento erudito para se encontrarem tantas vezes perdidos nos recônditos de fraquezas. Mas sabe o que eu quero e peço a Deus ?
...
Que eles aprendam a se permitirem ter felicidade.
Que ouçam seus desejos, vontades e parem de seguir todas as regras, de querer acertar sempre.
Que eles não deixem que o stress, as obrigações apaguem a leveza de se rir de graça e se dar as mãos.
Que eles saibam olhar nos olhos dos filhos pra saber o que realmente são.
Que eles tenham tempo pra não fazer nada e não se impacientem com isso.
Que eles se amem e demonstrem isso, porque a vida é passageira, mais do que se pensa.
Que eles entendam que não têm que ser perfeitos, eu já entendi, não exijo isso.
Só quero e quero muito que eles sejam felizes e que não me transformem neles, porque eu NÃO sou. Eu gostaria que em vez de fugitivos fôssemos família.
Mas é fácil lamentar né, então faço o que posso, tento aproveitar ao máximo os quandos bons, e se não dá?
Eu saio andando...

Nenhum comentário:
Postar um comentário