E na exatidão de se ser
Um pouco triste
Na retidão de se pensar
Sobre o porquê se existe
Nas certezas mais incertas...
Ouve-se uma canção trovadoresca
E o humanismo talvez já não beato e já desumano
Sente uma repulsa gigantesca
Vem um navegador classicista
O homem vai ao centro, está à vista
Mas chega o barroco e sai do centro
Teme a Deus e cede o centro a ele
E se desnorteia em seus momentos
Chega o árcade a se recordar
Denuncia tudo, menos não saber chorar
E ouvindo esse assunto vêm três românticos
O primeiro também a recordar,
Lembrar cânticos
De homens nus, vermelhos e fortes
Depois de tanta força relatada
Ela foge e deixa o segundo romântico
Sem sorte, sem nada...
Então ele vive tanto em tão pouco tempo
E chora também seu momento obscuramente, boemiamente
E ri sua morte, estava enfim com sorte
O terceiro romântico vem velá-lo e se revolta
Trabalha o seu verbo e o solta
Contando histórias tristes de pessoas felizes
Vem então os irmãos
O realista e o naturalista
Um fala dos determinantes, dos porquês
O outro vira analista
Os efeitos não surtem tanto
Mas espanto é coisa de cortiço
Cansado de cargas pesadas
Vem um parnasiano, e querendo falar de nada
Quase comete um engano
Quase faz uma jóia em vez da poesia
E gostando dos quases, dos mistérios e formas
Chega um simbolista e sendo
Um típico artista, deixa o ar de com quem se parece
E não querendo se parecer com ninguém
E querendo ainda ser eterno
Chega cheio de marra
Um poeta que se diz moderno
Briga, discute, se atreve
Fala sotaques, escreve
O que diz ser seu país
Bate o pé mas depois com bom senso
Consegue o que quis
Chega porém o seu sucessor
Um poeta um pouco mais terno
Era também um poeta que se dizia moderno
Um pouco recluso, revoltado
Navegando em si, sofrendo passados
Mas de repente chega um terceiro moderno
De coração velho e cansado
Mas de extremos tão diferentes
Ele fala da dor abstrata e dos problemas das gentes
E até se aliena um pouco, está menos exigente
Talvez este último momento, de tédio ou glória
Seja quando a razão e a emoção
Mais se tocaram na história
Mas muitos poetas loucos, certos, vivos, mortos
Alegres, tristes, cansados e tortos
Ainda virão
E revolucionarão
Esse contexo das certezas mais incertas...

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