terça-feira, 8 de junho de 2010

Ter a si


É tão doce a busca de si mesmo. Não é obrigação, é gosto. Não é coragem, é justamente o medo. É ir em frente sem querer e depois perceber a força que se teve. Não é se programar, é analisar os programas da forma mais subjetiva e abstrata, de uma forma invisível que nos permite voar e cair. Realidade numa bola de cristal. É se frustrar e talvez depois tentar entender. É querer melhorar sem pressa. É se aceitar. É buscar um respeito que se expandirá além de nossos limites. É charme saber de si. Nunca se sabe de tudo, se quer sempre mais. E se acha mais. Sempre. Algumas horas chegamos até a não querer nada, querer se abandonar. Mas esta união é tão intensa, que o desejo da presença de si mesmo, inconscientemente, vence. Prevalece silenciosamente, até acordarmos e vermos que não ficamos de fato sozinhos. Daí, o vazio que sentimos, sentimos de mãos dadas como tudo o que sabemos e não sabemos de nós mesmos, com tudo que somos e já fomos. Mesmo nas horas que odiamos o conhecimento que temos, buscamos mais. É o vício de se ter por perto, não pra controlar nossas atitudes e reações, mas pra gozar do descontrole de se viver, duplamente, consigo e si mesmo. Viver duas vezes numa vida só. Não procurando razão pra tudo, mas encontrando tudo o que tem uma razão pra ser encontrado.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

a g o r a

E nesses ares poluídos e fétidos eu ainda consigo me encher de música.

E como será amanhã?

Ainda me assusto com a maldade das pessoas. Com os sentimentos baixos, estúpidos. Feios. E o preconceito? Não sei como pode existir. Não consigo de maneira alguma aceitar que as pessoas se sintam superiores à outras. Isso não existe, é inadmissível.
Há homens corruptos, ambiciosos, inconseqüentes, ignorantes ... ... que raça mais desprezível, medíocre. Eu sou dessa raça e tenho também tantos sentimentos amargos.
As crianças, a natureza, a perfeição de processos vitais, como não neutralizam o caráter ácido dos seres humanos? Talvez não deixemos,ou até mesmo não queremos ou nós somos mesmo tão ruins que não existe uma cura.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Em carne e alma


Nas minhas contradições me surpreendo. Aprendo. Minhas oscilações, por mais que as vezes sejam negativas, me chamam atenção pra tamanha complexidade do homem. Me divirto. Como podemos concomitantemente ser tanto e tão pouco? Me embaralho e penso, fico estática. Nessa agitada confusão fico estática. Posso ser o que estimo e o que repudio, sem perceber. Posso ser meio termo, equilíbrio. Posso ser silenciosa com o olhar, com palavras suaves, delicadas. Posso falar e falar... palavras, olhares febris, concentrados. Posso fingir e me tornar e quem sabe até apagar. Posso ser quente e fria, flor e pedra, doce e amarga. Posso ser tanto e nada. Tenho a minha vida quase nas mãos. Posso acreditar que sou livre e assim não sê-lo. Quero sensatez e sensibilidade. Escolho essa oscilação para que eu me surpreenda. Irei me perder inúmeras vezes, mas uma busca finita e saciável não ensina, não dá prazer. Posso ficar sem resposta e não enxergar que essa é a resposta, é o querer, o não querer. Posso sentir e pensar, costurar o que vive dentro de mim com pontos fortes porém não definitivos. Quem sabe posso em um dia ver cores e já no outro ver preto e branco ou gritar bem alto pra ninguém ouvir, me calar pra dizer a todos. Sou variação. Mudança. Desordem. Sou um caminhar no escuro, sou a minha vida em vários ângulos. Sou um ser humano que quer se encontrar e se perder. Sou a vontade em carne e alma

sábado, 8 de maio de 2010

Talvez seja um pouco assim mesmo

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Vamos andando nesses tumultos e nos calando perante insultos dos grandes pequenos homens. Vamos pensando e não pensando, tentando errando e prosseguindo. Aprender é lucro o resto é sorte. Aprender na guerra vencer a morte.

sábado, 24 de abril de 2010

... 2

Ficou louco. Fez da sua droga um alívio pra sua droga de vida e entorpeceu-se até nascer novamente. Um encontro com os santos, beatos e mártires um tanto quanto eloquente. Ficou louco. Pegou toda sua infância e a ignorou, pegou toda sua perspectiva e a publicou. Ficou rouco. De tanto gritar pra perto todos e a anfitriã dos mesmos. Achou pouco. Mandou todos embora e agora quer paz no seu inferno. Ficou louco.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

... 1

Ficou louco. Viu três em tudo e decidiu dividir também sua vida em três. Escolheu uma pra viver. Ficou louco. Bebeu três cafés: pra acordar da vida, pra amargurar os sonhos, pra esquentar a fé. Ficou rouco. De tanto se calar e rosolveu gritar. Achou pouco. Então deixou sua lucidez em algum lugar. Ficou louco.

sábado, 17 de abril de 2010

Acho que entendi

Uma conversa do tipo quase sem querer, olho no olho e nada a valer, nada a provar. E de repente, bem do nada, falando-se de algo que não me pertence, me envolve ou cabe a mim saber, surge uma frase. Ouvi e todas as minhas partes absorveram essa idéia, minhas sensações consentiram-na e meu olhar respondeu: entendi o que você quis dizer e mais, obrigada por ter dito isso.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

...

Tem dia que as coisas ficam mesmo cinzas e que o vento sopra diferente. São dias que passam, que voltam, e nessa oscilação eu me encontro naquele canto e vejo como embora eu tenha crescido, algumas coisas não mudaram. Eu sempre acreditei que mudariam, que se amenizariam ou que ao menos seriam vistas de outra maneira. Doem do mesmo jeito. Eu já cansei disso e sempre acho que qualquer um cansaria. Não adianta eu tentar mudar o tom do meu dia, nem tentar mudar o frio que hoje faz. Estou parada, fazendo o que a rotina manda, estou mais quieta mas agitada por dentro. Aquela vontade de pausar o mundo por mais irreal que seja sempre vem em minha mente e um sorriso tolo e satírico nasce. Hoje ando na direção contrária e não sei onde vou chegar. Tenho vontade de correr, de correr pra onde eu possa realmente ficar parada, mas não existe esse lugar. Talvez eu precise mesmo de mais calor das pessoas, mas tenho medo dos meus espinhos, do que eles fariam. Queria uma dose de vontade na veia, queria um veneno antimonotonia como disse um grande poeta, queria não querer nada do que quero e querer algo que posso. Não vou falar aqui que preciso mudar meu jeito de ver as coisas ou minhas expectativas, pois isso já virou clichê no que se trata de mim. Eu queria me ver em algo que não seja em mim mesma, em alguém, em algum lugar, em alguma coisa, em alguma música, em algum passado e até em algum futuro. Nos olhos de alguém, onde eu me sinta aconchegada e divida aquele meu canto ou quem sabe até saia de lá.