domingo, 7 de fevereiro de 2010

Muito, muito obrigada!

Eu olho pra vida e por um instante sei que tenho a paz que eu tanto, tanto quero. Sei que ela é esperta e a qualquer momento pode fugir de mim. Mas pra mim que já fugi tanto dela, esperá-la pode ser têla. Tudo está no lugar e eu não me incomodo com isso, que avanço! Eu que não suportava a monotonia, estou me deliciando com ela. Eu que sentia dor no silêncio, estou aprendendo a contemplá-lo. Eu que tinha minha companhia como o surgir de um turbilhão de idéias errantes, exageradas, agora aprecio estar comigo e sei que isso me ensina, me modela a correr do sedentarismo e de formas fixas. Eu que me desesperava e ainda me desespero ao me deparar com problemas que atingem em cheio meus enfraquecidos princípios, sei que erro ao me desesperar. Eu reconheço que faço 'tempestade em copo d'água', e que me divirto com isso. Eu enxergo e sei que não quero ser assim. Eu quero ainda ser mais diferente do que toda essa diferença do antes que já vivo. Quero continuar com minha sensibilidade, com minha veneração ao simples e tão inédito pra mim, mas quero deixar de absorver tanto, tudo! Quero deixar de permitir que a vida me toque quando quiser, quero escolher a hora de ser tocada. Quero saber ignorar, quero saber deletar, quero saber deixar de lado e principalmente saber que eu não preciso tentar ser o melhor pra cada pessoa, momento, situação. Eu tenho que ser meu melhor pra mim, e abraçar o que restou dos meus ideais e em vez de alimentá-los, adaptá-los ao que se diz realidade. Há um tempo eu queria essa paz, alías, eu dizia que a queria mais que tudo, mas eu não estava pronta para ela, a paz era calma de mais pra minha alma que gritava loucamente vida! Liberdade! A paz dava espaço pros meus desejos, vontades, pra tudo o que o queria ser e não pra tudo o que eu devia ser. Hoje a paz é somente a paz e por isso é tão bela, grandiosa, tão repleta de um gozo por nada, tão cheia de vida, tão cheia de ar, tão cheia... tão completa. E 'você' me ensinou a amar a paz, e fez isso me amando... não poderia ter sido de um jeito melhor meu amor.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Feliz para sempre.

Tanta coisa em que eu acreditei que não é bem assim.
Tantos princípios que eu edifiquei se voltaram contra mim.
Ideais que idealizei pra crer que a vida é um mar de rosas.
Agora tantas más nótícias silenciosas
que anunciam que palavras podem apenas ter beleza,
que realidade é uma proeza se bem escrita.
E a minha educação, serviu para quê?
Aprendi a buscar o que não é pra se ter.
Comecei a enxergar o que não é de se ver.
E aquela história de que a vida sempre é tão bela ?
Não..
Também não...
...
E família não é como a da novela.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu falo

De olhos tão complexos
De cabeça raspada
De menino à homem
Do tráfico às peladas
De ideais não convexos
De fome exagerada
De pernas ágeis
De medo escondido
De mágoas frágeis
De pai foragido
De semanas iguais
De aulas matadas
De ídolo bandido
também de cabeça raspada
De mãe que se vendeu
De futuro único e certo
De quem nunca se surpreendeu
De sorrisos espertos
De boca pra fora
De relógios sem horas
De corrida contra o tempo
De contra tempo o agora que ó o mesmo de ontem
De preconceito como o próprio defeito de disseminá-lo
De educação sem nenhuma razão para ajudá-los
De vida sofrida, vida difícil
De histórias omitidas
Sacrifícios.
De olhos complexos
escondendo a ferida
De esperanças mortas
em vidas mal vividas.
De pernas ágeis e tortas
De frequentes corridas.
De talentos reprimidos
De falta de comida.
De vontade que nada vale
De padrões tão combinados
De voz que nada fale
De destinos determinados, encerrados
De soldados desse mundo
De gente que nasceu pra sofrer
De menino à homem
que quando nasce acaba de morrer
E a escolha é fria, é crua
feita por mim e por você.
Agora os meninos/homens da rua,
nunca ... nunca...
puderam escolher.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Com sequência

E na sequência dos fatos, as coisas acabam as mesmas. Eu com meu espaço e minha inconsequência. E na sequência sem rastros, do nada tudo nunca muda. Mudam-se os traços mas não as causas. Rompem-se mais laços, e eu com meu espaço talvez aos poucos menos preenchido. Um espaço cansado de mim e que vive assim, com pouco os outros e muito deles. Um pouco que apesar de eu me esforçar para torná-lo realmente muito, ainda me falta. Um pouco daquilo que na minha vida não se exalta, mas que quando se esgota, feri. Um pouco do que quanto mais eu busco, menos se expeli. Um pouco quem sabe do meu próprio veneno que retoma uma época passada ? O preço de uma, aos olhos desantentos, curta jornada ? E como sequência dos fatos vivo restrospectivamente as consquências de atos (meus e nem tão meus assim).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

..
Se eu não vivesse minha vida fingindo ser poeta, não restaria absolutamente nada em mim, a não ser a vontade de fingir sê-lo. Se eu não sofresse como o poeta, minha vida se tornaria tão sofrida que eu certamente a abandonaria, não... até mesmo pra eu ter força para abandoná-la, eu teria de tentar ser como o poeta. Muitas vezes quando sou um idealizador, não crio flores, não! Idealizo a dor. Uma dor ardente e tão necessária, imprudente, avassaladora. Uma dor bonita, fugaz ou em quandos permanentes! Uma dor que esconde um sorriso, que é escondida por um olhar, uma dor que está na estrela que passa e que não volta, nunca volta, mas deixa marcado o segundo em que passou! Escolho uma vida fingida, não ignoro os devaneios, eu até os crio! Fica claro em minhas palavras, fica agitado em meu coração, eu não suporto o tédio, eu não suporto não ter nada pra não suportar! Quero o dinâmico, o envolvente! Nasci pra nunca parar...

sábado, 5 de dezembro de 2009

É, e de súbito eu não controlo mais nada, nem o meu paradigma sobre a arte de controlar. Eu não controlo o que sou, o que posso ser, não controlo meus sentimentos, reações, não controlo minhas opiniões, elas surgem... modelam-se... me escapam, retornam, agem sozinhas, e depois sem pedir permissão, habitam em mim. De repente eu estou vivendo com metafísica a menos e com naturalidade a mais. E a falta de sentido chegou até em horas a me abandonar. E o que eu achava que era, agora vejo que nem sempre é. E o que eu não admitia, chega até a me convencer. Perco minha vontade de respeitar as leis dessa selva, onde ninguém se salva. Perco cada vez mais a disposição para ser quem querem que eu seja, ou o que eu idealizo de mim. Meus instintos, não, não são automáticos! Meus preceitos não tão burocráticos! Não sou uma máquina de repetição. Nâo sou um anteparo de reflexão. Não sou o que já fui, nem o que eu serei! Sou a vida que levo com esse pseudocontrole no qual me fizeram acreditar, e eu quis, porque acreditando é mais fácil, é mais confortante. Tenho jogado fora verdades que nunca existiram. Tenho persistido a uma vida que se exime de tão bela e se retrai de tão audaciosa. Vida esta, que abriga homens que de tanto se julgarem belos e audaciosos, não conhecem a audácia do belo quando na simplicidade surge a chance de se ser um pouco feliz. A mudança pode afiar nossos sentidos, precisamos destruir nossas resistentes e restritivas barreiras!
...


Quando nada é da minha conta e eu invento coisas pra pensar... quando não satisfeita com o que recebo, tento me justificar. Se tudo fosse tão exato, será que não seria bom? Se toda música que eu cantasse, tivesse o mesmo tom... talvez na persistência me entenderiam. Mas aí minha intolerância comigo seria demais. Mas eu já vejo a mesma história todo dia, então quer saber ? Tanto faz.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hermes e Héstia

A vida pra mim é paradoxos...
Verdades que se atraem e se evitam
Em um só instante
E se misturam aos meus sorrisos fáceis.
Á se tu soubesses o tao longe que estou agora
E são as minhas falas que me distraem
Quando tuas idéias não tem mais sentido
E tudo mais...
Quando as tuas idéias até me cansam
E me embalam em uma canção que lembram
Uma vida que eu tive,
Em outra ordinária vida.
Porque agora preciso tentar viver
Não quero mais tua insegurança pra mim
Não quero teu pesadelo a me atormentar
Quero as vezes ter o poder de fingir
Que as coisas que acho, são de veras
A vida que tento levar.
E a todo o mundo que sonhei
Onde tu não eras meu medo
Onde tu não eras meu vicio
Onde eu existia de verdade
Onde sentiam a minha presença
E não se importavam com ela
Onde tu eras tanto, que eu a via como nada.
Onde eu era nada, e me via como tanto.
Pois de certo a vida é o paradoxo
Das verdades que nunca saíram de sua boca
Ou das mentiras que digo pra esconder
O tanto que eu queria você aqui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um dia andando destraída, a lua chamou minha atenção. Ela seguia dissonante, rápida ou lenta, e convidou-me pra uma corrida, rumo aquela infinita escuridão. Eu não estava fazendo nada, e aquilo tudo pra mim era um mistério, segurei-lhe a mão. Logo de cara, assutei-me e quis voltar. Mas já era muito tarde para isso, eu já voava alto, e sozinha não voltaria ao meu lugar. Tive que seguir, aos poucos me acostumei com a noite. Estava frio, e isso não era tão ruim. Estava sombrio, e as sombras se vestiram em mim. Taparam o frio, me acolheram. Me mostraram as belezas de onde eu estava, tão vazio, tão obscuro, tão rico, eu me impressionava. A cada descoberta eu me identificava. Até a lua, que de longe brilhava, não tinha brilho, roubava o brilho do sol. De perto tudo era tão diferente, e o que eu julgava triste, ou o que eu achava que tinha o maior glamour do mundo, se mostrou equilíbrio, ternura, roubo e sedução. Um jogo de tédio, um jogo de atração, um jogo de descobertas, de verdades incertas, que sempre tinham razão. Aquilo se pareceu tanto comigo, o ambiente, os obstáculos, o clima, os artifícios, uma sina de quem tem como sacrifício ser nada pra quem a considera tudo e ser tudo pra quem a julga como nada. E era tão estranho a minha corrida com a lua, aos poucos éramos uma só, eu vi que quem usava o brilho do sol pra mostrar às pessoas era eu. Eu buscava nas minhas profundezas, meu sol esplendido interior. E minha verdadeira face ficava intacta e imperceptível aos olhos de quem for. Quem ia chegando perto, via meus desertos, vazios, e confusões, frios extremos, perigos a vista, se assustava e voltava. Quem insistia podia ver que nem tudo era assiim. Como eu andei na noite, eles andaram em mim. Andar na noite, sem ter certeza, correr pra qualquer lugar, dar passos firmes na escuridão inexata, achar que vai para um lugar quando se vai para outro, é assim na vida, é assim em mim. Procurar algo, e encontrar surpresas. Boas e ruins. O problema é que a lua vive enclausurada em si, ela não desci, ela apenas corre e as vezes pára, rápida ou lenta, ela gosta de ficar ali. Olhando todos, amando alguns, e sendo olhada, porque ela carrega a ingênua verdade, de que de onde está, só olham suas qualidades, seu brilho. O mínimo que ela enxerga é que as pessoas, os pássaros, as flores, a vida, tem dúvida sobre o que se passa em seu coração, é possível a lua ser feliz se alimentando de escuridão e tendo como compania um rastro mórbido da solidão? Não, a lua gosta do frio, do vazio incerto de se recolher, mas ela também sofre, ela foge, ela corre, se entristece por ninguém invadir seu mundo, mas ela sabe que a culpa é dela, então ela faz de sua órbita e da gravidade, sua cela. E gosta um pouco, mais finge gostar ainda mais, do que ela tem, deixando de lado o que poderia ter.
A lua se parece comigo, e eu corro o perigo de viver meus séculos assim, mas posso fazer diferente, posso ser meu brilho, e não apenas usar dele pra ser normal e passar despercebida. Posso deixar o escuro e iluminar a vida.