domingo, 5 de setembro de 2010


Não, não é indiferença. Isso só os ressentidos alcançam. Quero é sentir menos energias. Quero mais concentração, enxergar minha estrada e só. Nem olhar a poeira que ficou para trás. Nem decifrar as miragens que minha imaginação traça sobre o horizonte. Correr de olhos fechados até que minha minha mente se esvazie de tudo que não me pertence. Preciso ser um pouquinho mais egoísta, por uns tempos. Contradições me embaraçam, me elevam e me soterram. Sufoco. Não, que me calar o que! A vida vai me tocar como sempre, eu é que ainda vou perceber menos isso. Vai doer menos, eu sei. Eu espero. Olhos me olham e provocam tanta coisa. Aliás, alguns olhos. Outros são apenas nada pra mim. Enquanto esses alguns, a, esses alguns... me fazem realizar meu sonho de infância de atuar. Sou atriz da minha vida. Lembrei daquela história de 'seja protagonista da sua vida, não fique na platéia', coisas desse tipo. Mas não falo disso, desse clichê. Porquê sinceramente, foda-se se a vida é um teatro ou um filme de hollywood. O fato é que ela é uma só e assunto encerrado. E pra minha vida, minha e tão de tanta gente, insisto nas minhas mudanças. É assim que vivo, sofro e cresço. Caio e luto. Não importa, eu dô meu jeito, tenho cartas na manga. Dobro insistências, passados e medos. Enfrento. Medo? Tenho e tenho muito, quem não tem? Mas não paro. Nunca paro. Sou mesmo esse agito todo e quem me olha nem percebe. As pessoas não sabem ler. Eu quero desaprender um pouco do pouco que sei. Mas não tenho pressa. Enquanto conseguir me manter de pé, relutarei. E se o cansaço vier? ... que vá embora logo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Insistência



Fecho os olhos e feito mágica, filme de terror, ainda vejo aquela árdua dor. Hoje é uma dor calma, afiada e afinada no meu tom. Amena, porém persuasiva. Sua retórica me põe no seu jogo e me convence de coisas que por tempos chego a esquecer, me olha com meus próprios olhos de outrora, me enche de mim. Se impregna em minha pele, só pra ser lembrada. Dor maliciosa. Persistente. Já foi louca e viva, feroz. Hoje é calma, lenta e em ventos frios se converte, chega em qualquer estação. E por mais que eu me liberte, sempre fica ou volta.Sempre volta. A dor se tornou sábia e eu não. Ela sabe da vida e de mim, e me esconde o que sabe pra me proteger ou pra me ter nas mãos. Acredito nisso e me prendo a ela. Dor mesquinha. Talvez eu devesse buscar estar exposta, desprotegida. Pra que o vento que soprar, seja forte. O fogo que queimar, seja quente. E o que restar de mim seja fatal, livre.

terça-feira, 20 de julho de 2010



Cuidar é desenhar o amor que se sente.
É amar o desenho que é tatuado na alma.
É sentir que há sempre um sentido.
Cuidar é se doar sem se perder.
É perder a hora.
É fazer amigas, duas individualidades.
Cuidar é pegar para si o que nunca será seu e lutar eternamente para que seja.

terça-feira, 13 de julho de 2010

E só!

Preciso voar.
Meus pés no chão me fazem sentir a fragilidade das minhas raízes, imaturas. Crescem mas pago caro por esse projeto. Até penso em desistir, sanidade demais me incomoda. Precisão me enoja. Quero coisas fortes.
O tempo e o tédio sabem me nocautear. Quero vencer.
Quero viver.
Eu quero a vida com um cheiro forte e bom, feito cheiro de laranja. Quero o gosto doce de um abraço quente. Quero um olhar carinhoso e um medo excitante. Quero falar alto besteiras boas de se dizer. Quero velhas amigas por perto. Quero um pouco de loucura.
Loucura que ostenta vontade. Quero regras pra seguir e quebrar.
Eu quero brincar com coisas sérias, com fogo.
Quero sentir por um instante a vida feito cócegas.
Fechar os olhos e sentir o mundo girar como se eu não o acompanhasse.
Quero analisar menos e esquecer um pouco. Respirar sem culpa, zelo e pressa.

V i v e r e só!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tenho fome de escrever. Minhas idéias um tanto embaraçadas, têm pressa de sair. Puras palavras dispersas querendo virar poesia. Nada de organização. Com palavras apenas torno palpável minha bagunça interior. Uso meus sentidos e tento decifrar-me através de meu espelho, minhas palavras.


E por capricho ou bom gosto, sempre preferi as palavras de difícil digestão.

terça-feira, 22 de junho de 2010



Hoje o calor do sol me veio como uma carícia. Me fez sorrir. Pensei na importância do calor em nossas vidas. O calor derrete o gelo, seca as lágrimas. O calor pode ser forte, eufórico. Pode queimar. O calor modela a alma ao tocar o corpo. O calor fala baixinho em nossos ouvidos, mas sua ausência grita um frio que mata. O calor quer mãos dadas, quer olhar bem quente. Quer suor. O calor é sinal de que a vida está acesa. O calor é um sentido a parte para as coisas incertas. O calor congela e eterniza até o que já se foi, ou o que um dia partirá. O calor dilata o desejo, faz do silêncio uma fala singela e convidativa, voraz. O calor gosta de tudo bem à vontade. Gosta do esforço primeiro, antes do sabor da conquista. O calor faz a gente viver.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ter a si


É tão doce a busca de si mesmo. Não é obrigação, é gosto. Não é coragem, é justamente o medo. É ir em frente sem querer e depois perceber a força que se teve. Não é se programar, é analisar os programas da forma mais subjetiva e abstrata, de uma forma invisível que nos permite voar e cair. Realidade numa bola de cristal. É se frustrar e talvez depois tentar entender. É querer melhorar sem pressa. É se aceitar. É buscar um respeito que se expandirá além de nossos limites. É charme saber de si. Nunca se sabe de tudo, se quer sempre mais. E se acha mais. Sempre. Algumas horas chegamos até a não querer nada, querer se abandonar. Mas esta união é tão intensa, que o desejo da presença de si mesmo, inconscientemente, vence. Prevalece silenciosamente, até acordarmos e vermos que não ficamos de fato sozinhos. Daí, o vazio que sentimos, sentimos de mãos dadas como tudo o que sabemos e não sabemos de nós mesmos, com tudo que somos e já fomos. Mesmo nas horas que odiamos o conhecimento que temos, buscamos mais. É o vício de se ter por perto, não pra controlar nossas atitudes e reações, mas pra gozar do descontrole de se viver, duplamente, consigo e si mesmo. Viver duas vezes numa vida só. Não procurando razão pra tudo, mas encontrando tudo o que tem uma razão pra ser encontrado.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

a g o r a

E nesses ares poluídos e fétidos eu ainda consigo me encher de música.

E como será amanhã?

Ainda me assusto com a maldade das pessoas. Com os sentimentos baixos, estúpidos. Feios. E o preconceito? Não sei como pode existir. Não consigo de maneira alguma aceitar que as pessoas se sintam superiores à outras. Isso não existe, é inadmissível.
Há homens corruptos, ambiciosos, inconseqüentes, ignorantes ... ... que raça mais desprezível, medíocre. Eu sou dessa raça e tenho também tantos sentimentos amargos.
As crianças, a natureza, a perfeição de processos vitais, como não neutralizam o caráter ácido dos seres humanos? Talvez não deixemos,ou até mesmo não queremos ou nós somos mesmo tão ruins que não existe uma cura.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Em carne e alma


Nas minhas contradições me surpreendo. Aprendo. Minhas oscilações, por mais que as vezes sejam negativas, me chamam atenção pra tamanha complexidade do homem. Me divirto. Como podemos concomitantemente ser tanto e tão pouco? Me embaralho e penso, fico estática. Nessa agitada confusão fico estática. Posso ser o que estimo e o que repudio, sem perceber. Posso ser meio termo, equilíbrio. Posso ser silenciosa com o olhar, com palavras suaves, delicadas. Posso falar e falar... palavras, olhares febris, concentrados. Posso fingir e me tornar e quem sabe até apagar. Posso ser quente e fria, flor e pedra, doce e amarga. Posso ser tanto e nada. Tenho a minha vida quase nas mãos. Posso acreditar que sou livre e assim não sê-lo. Quero sensatez e sensibilidade. Escolho essa oscilação para que eu me surpreenda. Irei me perder inúmeras vezes, mas uma busca finita e saciável não ensina, não dá prazer. Posso ficar sem resposta e não enxergar que essa é a resposta, é o querer, o não querer. Posso sentir e pensar, costurar o que vive dentro de mim com pontos fortes porém não definitivos. Quem sabe posso em um dia ver cores e já no outro ver preto e branco ou gritar bem alto pra ninguém ouvir, me calar pra dizer a todos. Sou variação. Mudança. Desordem. Sou um caminhar no escuro, sou a minha vida em vários ângulos. Sou um ser humano que quer se encontrar e se perder. Sou a vontade em carne e alma

sábado, 8 de maio de 2010

Talvez seja um pouco assim mesmo

-


Vamos andando nesses tumultos e nos calando perante insultos dos grandes pequenos homens. Vamos pensando e não pensando, tentando errando e prosseguindo. Aprender é lucro o resto é sorte. Aprender na guerra vencer a morte.

sábado, 24 de abril de 2010

... 2

Ficou louco. Fez da sua droga um alívio pra sua droga de vida e entorpeceu-se até nascer novamente. Um encontro com os santos, beatos e mártires um tanto quanto eloquente. Ficou louco. Pegou toda sua infância e a ignorou, pegou toda sua perspectiva e a publicou. Ficou rouco. De tanto gritar pra perto todos e a anfitriã dos mesmos. Achou pouco. Mandou todos embora e agora quer paz no seu inferno. Ficou louco.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

... 1

Ficou louco. Viu três em tudo e decidiu dividir também sua vida em três. Escolheu uma pra viver. Ficou louco. Bebeu três cafés: pra acordar da vida, pra amargurar os sonhos, pra esquentar a fé. Ficou rouco. De tanto se calar e rosolveu gritar. Achou pouco. Então deixou sua lucidez em algum lugar. Ficou louco.

sábado, 17 de abril de 2010

Acho que entendi

Uma conversa do tipo quase sem querer, olho no olho e nada a valer, nada a provar. E de repente, bem do nada, falando-se de algo que não me pertence, me envolve ou cabe a mim saber, surge uma frase. Ouvi e todas as minhas partes absorveram essa idéia, minhas sensações consentiram-na e meu olhar respondeu: entendi o que você quis dizer e mais, obrigada por ter dito isso.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

...

Tem dia que as coisas ficam mesmo cinzas e que o vento sopra diferente. São dias que passam, que voltam, e nessa oscilação eu me encontro naquele canto e vejo como embora eu tenha crescido, algumas coisas não mudaram. Eu sempre acreditei que mudariam, que se amenizariam ou que ao menos seriam vistas de outra maneira. Doem do mesmo jeito. Eu já cansei disso e sempre acho que qualquer um cansaria. Não adianta eu tentar mudar o tom do meu dia, nem tentar mudar o frio que hoje faz. Estou parada, fazendo o que a rotina manda, estou mais quieta mas agitada por dentro. Aquela vontade de pausar o mundo por mais irreal que seja sempre vem em minha mente e um sorriso tolo e satírico nasce. Hoje ando na direção contrária e não sei onde vou chegar. Tenho vontade de correr, de correr pra onde eu possa realmente ficar parada, mas não existe esse lugar. Talvez eu precise mesmo de mais calor das pessoas, mas tenho medo dos meus espinhos, do que eles fariam. Queria uma dose de vontade na veia, queria um veneno antimonotonia como disse um grande poeta, queria não querer nada do que quero e querer algo que posso. Não vou falar aqui que preciso mudar meu jeito de ver as coisas ou minhas expectativas, pois isso já virou clichê no que se trata de mim. Eu queria me ver em algo que não seja em mim mesma, em alguém, em algum lugar, em alguma coisa, em alguma música, em algum passado e até em algum futuro. Nos olhos de alguém, onde eu me sinta aconchegada e divida aquele meu canto ou quem sabe até saia de lá.

sábado, 27 de março de 2010


Em uma leve brisa de inconstância se escondem felicidades instantâneas que se eternizam. As vezes a falta de proteção, armadura, é também ausência do peso, foi o que aprendi um dia desses. Crescer não significa deixar de ser, significa ser mais, ser menos, ser de vez em quando, significa deixar ser o que parte de dentro quando possível, e quando não é possível, fingir de uma forma inocente e requintada ao ser o que se pede, o que se deve. É ter nas mãos a consciência do que se ocorre e não achar que se tem o controle, pois não se tem. É se entregar sem ir, é ficar e sair do chão. Respirar e sentir as mil sinestesias que provamos da vida. É ler as estrelas e se alienar um pouco. É tocar a realidade e se virar com ela, não se paralisar. É esperar por si mesmo em vez de pelo outro. É se olhar com carinho e se cuidar. É ser livre em seu espaço, mesmo que somente por dentro. É entender a liberdade do outro não como uma forma que nos leve a perdê-lo, mas sim como uma forma de respeitá-lo. É saber que tudo é passageiro, efêmero mas que você pode tornar para sempre algumas coisas. É viver de forma sensata e um pouquinho irresponsável. É enfrentar a gravidade. É estar sempre buscando e renovando. É gritar num papel, num choro numa música quando sufocado. É ter forças para recomeçar. É estar consigo mesmo nas horas em que a fé se ausenta. É saber que não temos o poder de mudar a vida de ninguém, fazer escolhas é inerente a cada um. Mas temos a chance de tentar fazer feliz a custo zero, basta reconhecer quando se vale a pena. É voar e lá de cima se enxergar as misturas pernósticas dessa nossa vida. É sobreviver a essa arrogância dando conta como se pode, se aguenta. É tentar simplesmente ser leve e tranquilo e aproveitar os intantes que cabe a nós fazer o que quiser com eles.
"Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na incostância."
Gregório de Matos

sexta-feira, 19 de março de 2010

.. desapresseospassos (2)

Riu da sua vida com se ela fosse piada. Mandou sua culpa toda para o inferno. Decidiu se construir começando do nada. Rasgou o seu rótulo de sofredor e terno. Fumou um cigarro como se fosse outra pessoa. Soltou com a fumaça xingamentos guardados. Decidiu naquele dia ficar á toa. Com sua raiva ficou ilhado. Chutou a idéia de esperar ser salvo. Decidiu parar de alimentar seus medos. Nadou sua raiva sem rumo e alvo. Cansou da sua história, quis mudar o enredo. Salgou seus olhos pela ultima vez. Vencia a maré e chegava ao cais. A cada onda vinha lucidez. Mas ele conseguiria muito mais.

terça-feira, 16 de março de 2010

Ficar longe de você é ruim. É boa a plenitude que você sabe me dar, é bom olhar pra você e me sentir protegida de tudo. Segurar a sua mão e não ter medo de nada. Rir com você, pra você ou até de você. É bom ficar brava com suas brincadeiras e mais brava ainda com você achando isso bonitinho. É bom quando a gente conversa, são bons os nossos silêncios. O seu abraço , o seu cheiro, o seu beijo, os seus cuidados. E longe disso, sem isso, eu vejo o quanto ficar perto de você me faz feliz...

sábado, 13 de março de 2010

.. desapresseospassos (1)

Saiu cedo sem falar com ninguém. Não se lembrou que não tinha ninguém a quem falar. Andou. Viu as ruas, as folhas, os prédios, as vidas, a vida. Andou. Uma freada repentina de um carro e o barulho do recreio da escola. Era tudo o que se ouvia. Pássaros alto voavam, o da frente diminuía o atrito com o ar. Essa organização deu náuseas. Pensou em instinto de sobrevivência. Perguntou a si mesmo se isso fala mais alto que vontade. Parou de pensar. Abriu os olhos estava em casa, na cama e eram 3 da manhã. Revirou-se um pouco e logo impaciente se levantou. Olhou pela janela. Viu a escola sem recreio, viu o carro estático e um pássaro solitário. Pensou na organização. Teve vontade de rasgar sua agenda e tudo aquilo que estava nela. Sua vida programada. Lembrou-se do instinto de sobrevivência e se viu movido apenas por ele. Mais nada. Bebeu um copo de água gelada que desceu fazendo-o se sentir vivo. Mas não límpido e sim doente. Essa sensação foi boa mas lembrou-se da vida no do dia seguinte. Sairia com seu jeans velho pra fazer o de sempre. Sairia com sua agenda de sempre pra fazer coisas velhas. O sentido de tudo não existia, talvez era só instinto mesmo. Olhou de novo pela janela e não conseguiu ver nada. Antes via estórias de amantes, de samba, de crimes. Amores rebeldes, sambas trôpegos e crimes perfeitos. Agora não via nada. Não ouvia o silêncio, antes sua melodia preferida. Pensava no que era. No que não era. No que tinha sido. E no que seria. Chegou a conclusão que tinha deixado sua vida passar. Conviveu intensamente consigo. Tinha aprendido, enxergado, exagerado, mas do que valeu? Lavou o seu rosto, olhou-se no espelho de um jeito diferente. Que rugas eram aquelas? Rugas tangenciadas, fantasmas, com certeza. De fato não eram suas. A barba desfeita pra mostrar ser despachado, tranqüilo. Não era, ele sabia. Os olhos vivos tão perdidos, parados. A máscara esculpida pela precisão de cada volta por cima. Riu de si mesmo pela primeira vez. Sentou-se no chão. Riu com força, com a alma, com o rosto que envelhecia. Se libertou. Vestiu seu velho jeans e foi viver sua vida nova.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Enxergar mudança me fez bem hoje

-


Já deixei tantas partes de mim para trás. Acho que isso é bom, pois estou construindo partes mais novas. Se construir é difícil, destruir é pior, o ser humano é tão fraco que se apega até mesmo a seus defeitos, ou por um orgulho estúpido, não tenta mudar. O pior de se deixar coisas para trás é que se fica um vazio, um lugar pronto pra acolher uma coisa melhor, mas não deixa de ser um vazio. E vazio machuca. Vazio dói. É hora de preenchê-lo. Coisas fáceis vêm mas não se encaixam. Coisas supérfulas vêm, mas se instalam temporariamente. Chega até a bater um desespero, um silêncio triste, mas não há como escapar de algo que vem de dentro, ignorar também não adianta por muito tempo. Então de repente novos horizontes nós criamos, de repente agimos diferente, e temos novos pensamentos, surgem novas idéias, escolhas, novos sentimentos, um novo alguém, de repente não somos quem éramos antes. Fomos preenchidos. A m a d u r e c e m os . Daí outra coisa em nós precisa ser mudada, deixamo-a para trás, sentimos vazio... e a busca eterna continua com seus ciclos intermináveis que nos ensinam sobre a vida.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

...


Tem hora que dá uma vontade gigante e um pouco tola de sair andando.

Andando pra qualquer lugar diferente do que se está.

Eu saio andando nessas horas... Vou pra todos os lugares que tenho vontade.

Pego meu lápis, meu caderno e saio correndo bem depressa.

Sim, isso se chama fuga. Parece fraqueza mas não é, é assim que fico forte no lugar indesejado. É assim que sobrevivo.

Escrevo mares e flores pra me acalmar, escrevo músicas pra me distrair, escrevo amor pra me consolar, escrevo fogo pra me aquecer, escrevo e escrevo e consigo silêncio: consigo perdão.

No lugar indesejado cada um sai andando a sua maneira, uns com pernas, outros com acusações e eu com minhas palavras secretas.

Todos estamos neste mesmo lugar mas estamos a milhas de distâncias um do outro.

Todos temos histórias mas as mesmas não são divididas.

Todos temos medos mas estes não são curados.

Todos temos vontades mas isso não importa, nunca importa.

Todos temos carinho mas essa verdade é muda, proibida parece.

Todos temos ofensas prontas e estas como sabemos usar!

Então cada um sai andando a sua maneira.

Mas eles, eles não econtram o perdão, o silêncio.

Então gritam.

Eles não encontram a paz de espírito, então culpam.

Eles não SE encontram.

Se encontrar é enxergar não só coisas belas, então eles se escondem e mais, ocupam seu tempo com ofensas, exigências, críticas, para não se depararem com eles mesmos otra vez.

Isso é triste, mas não é preocupante. É justificável.

Não posso exigir que cada um dê conta de si mesmo, é difícil.

E pra ser bem sincera, nem quero que eles vivam a vida metafisicamente, procurando aprimorar um autoconhecimento erudito para se encontrarem tantas vezes perdidos nos recônditos de fraquezas. Mas sabe o que eu quero e peço a Deus ?

...

Que eles aprendam a se permitirem ter felicidade.

Que ouçam seus desejos, vontades e parem de seguir todas as regras, de querer acertar sempre.

Que eles não deixem que o stress, as obrigações apaguem a leveza de se rir de graça e se dar as mãos.

Que eles saibam olhar nos olhos dos filhos pra saber o que realmente são.

Que eles tenham tempo pra não fazer nada e não se impacientem com isso.

Que eles se amem e demonstrem isso, porque a vida é passageira, mais do que se pensa.

Que eles entendam que não têm que ser perfeitos, eu já entendi, não exijo isso.

Só quero e quero muito que eles sejam felizes e que não me transformem neles, porque eu NÃO sou. Eu gostaria que em vez de fugitivos fôssemos família.

Mas é fácil lamentar né, então faço o que posso, tento aproveitar ao máximo os quandos bons, e se não dá?




Eu saio andando...










quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Emoção X Razão

E na exatidão de se ser
Um pouco triste
Na retidão de se pensar
Sobre o porquê se existe
Nas certezas mais incertas...
Ouve-se uma canção trovadoresca
E o humanismo talvez já não beato e já desumano
Sente uma repulsa gigantesca
Vem um navegador classicista
O homem vai ao centro, está à vista
Mas chega o barroco e sai do centro
Teme a Deus e cede o centro a ele
E se desnorteia em seus momentos
Chega o árcade a se recordar
Denuncia tudo, menos não saber chorar
E ouvindo esse assunto vêm três românticos
O primeiro também a recordar,
Lembrar cânticos
De homens nus, vermelhos e fortes
Depois de tanta força relatada
Ela foge e deixa o segundo romântico
Sem sorte, sem nada...
Então ele vive tanto em tão pouco tempo
E chora também seu momento obscuramente, boemiamente
E ri sua morte, estava enfim com sorte
O terceiro romântico vem velá-lo e se revolta
Trabalha o seu verbo e o solta
Contando histórias tristes de pessoas felizes
Vem então os irmãos
O realista e o naturalista
Um fala dos determinantes, dos porquês
O outro vira analista
Os efeitos não surtem tanto
Mas espanto é coisa de cortiço
Cansado de cargas pesadas
Vem um parnasiano, e querendo falar de nada
Quase comete um engano
Quase faz uma jóia em vez da poesia
E gostando dos quases, dos mistérios e formas
Chega um simbolista e sendo
Um típico artista, deixa o ar de com quem se parece
E não querendo se parecer com ninguém
E querendo ainda ser eterno
Chega cheio de marra
Um poeta que se diz moderno
Briga, discute, se atreve
Fala sotaques, escreve
O que diz ser seu país
Bate o pé mas depois com bom senso
Consegue o que quis
Chega porém o seu sucessor
Um poeta um pouco mais terno
Era também um poeta que se dizia moderno
Um pouco recluso, revoltado
Navegando em si, sofrendo passados
Mas de repente chega um terceiro moderno
De coração velho e cansado
Mas de extremos tão diferentes
Ele fala da dor abstrata e dos problemas das gentes
E até se aliena um pouco, está menos exigente


Talvez este último momento, de tédio ou glória
Seja quando a razão e a emoção
Mais se tocaram na história
Mas muitos poetas loucos, certos, vivos, mortos
Alegres, tristes, cansados e tortos
Ainda virão
E revolucionarão
Esse contexo das certezas mais incertas...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Muito, muito obrigada!

Eu olho pra vida e por um instante sei que tenho a paz que eu tanto, tanto quero. Sei que ela é esperta e a qualquer momento pode fugir de mim. Mas pra mim que já fugi tanto dela, esperá-la pode ser têla. Tudo está no lugar e eu não me incomodo com isso, que avanço! Eu que não suportava a monotonia, estou me deliciando com ela. Eu que sentia dor no silêncio, estou aprendendo a contemplá-lo. Eu que tinha minha companhia como o surgir de um turbilhão de idéias errantes, exageradas, agora aprecio estar comigo e sei que isso me ensina, me modela a correr do sedentarismo e de formas fixas. Eu que me desesperava e ainda me desespero ao me deparar com problemas que atingem em cheio meus enfraquecidos princípios, sei que erro ao me desesperar. Eu reconheço que faço 'tempestade em copo d'água', e que me divirto com isso. Eu enxergo e sei que não quero ser assim. Eu quero ainda ser mais diferente do que toda essa diferença do antes que já vivo. Quero continuar com minha sensibilidade, com minha veneração ao simples e tão inédito pra mim, mas quero deixar de absorver tanto, tudo! Quero deixar de permitir que a vida me toque quando quiser, quero escolher a hora de ser tocada. Quero saber ignorar, quero saber deletar, quero saber deixar de lado e principalmente saber que eu não preciso tentar ser o melhor pra cada pessoa, momento, situação. Eu tenho que ser meu melhor pra mim, e abraçar o que restou dos meus ideais e em vez de alimentá-los, adaptá-los ao que se diz realidade. Há um tempo eu queria essa paz, alías, eu dizia que a queria mais que tudo, mas eu não estava pronta para ela, a paz era calma de mais pra minha alma que gritava loucamente vida! Liberdade! A paz dava espaço pros meus desejos, vontades, pra tudo o que o queria ser e não pra tudo o que eu devia ser. Hoje a paz é somente a paz e por isso é tão bela, grandiosa, tão repleta de um gozo por nada, tão cheia de vida, tão cheia de ar, tão cheia... tão completa. E 'você' me ensinou a amar a paz, e fez isso me amando... não poderia ter sido de um jeito melhor meu amor.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Feliz para sempre.

Tanta coisa em que eu acreditei que não é bem assim.
Tantos princípios que eu edifiquei se voltaram contra mim.
Ideais que idealizei pra crer que a vida é um mar de rosas.
Agora tantas más nótícias silenciosas
que anunciam que palavras podem apenas ter beleza,
que realidade é uma proeza se bem escrita.
E a minha educação, serviu para quê?
Aprendi a buscar o que não é pra se ter.
Comecei a enxergar o que não é de se ver.
E aquela história de que a vida sempre é tão bela ?
Não..
Também não...
...
E família não é como a da novela.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu falo

De olhos tão complexos
De cabeça raspada
De menino à homem
Do tráfico às peladas
De ideais não convexos
De fome exagerada
De pernas ágeis
De medo escondido
De mágoas frágeis
De pai foragido
De semanas iguais
De aulas matadas
De ídolo bandido
também de cabeça raspada
De mãe que se vendeu
De futuro único e certo
De quem nunca se surpreendeu
De sorrisos espertos
De boca pra fora
De relógios sem horas
De corrida contra o tempo
De contra tempo o agora que ó o mesmo de ontem
De preconceito como o próprio defeito de disseminá-lo
De educação sem nenhuma razão para ajudá-los
De vida sofrida, vida difícil
De histórias omitidas
Sacrifícios.
De olhos complexos
escondendo a ferida
De esperanças mortas
em vidas mal vividas.
De pernas ágeis e tortas
De frequentes corridas.
De talentos reprimidos
De falta de comida.
De vontade que nada vale
De padrões tão combinados
De voz que nada fale
De destinos determinados, encerrados
De soldados desse mundo
De gente que nasceu pra sofrer
De menino à homem
que quando nasce acaba de morrer
E a escolha é fria, é crua
feita por mim e por você.
Agora os meninos/homens da rua,
nunca ... nunca...
puderam escolher.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Com sequência

E na sequência dos fatos, as coisas acabam as mesmas. Eu com meu espaço e minha inconsequência. E na sequência sem rastros, do nada tudo nunca muda. Mudam-se os traços mas não as causas. Rompem-se mais laços, e eu com meu espaço talvez aos poucos menos preenchido. Um espaço cansado de mim e que vive assim, com pouco os outros e muito deles. Um pouco que apesar de eu me esforçar para torná-lo realmente muito, ainda me falta. Um pouco daquilo que na minha vida não se exalta, mas que quando se esgota, feri. Um pouco do que quanto mais eu busco, menos se expeli. Um pouco quem sabe do meu próprio veneno que retoma uma época passada ? O preço de uma, aos olhos desantentos, curta jornada ? E como sequência dos fatos vivo restrospectivamente as consquências de atos (meus e nem tão meus assim).