sábado, 27 de fevereiro de 2010

...


Tem hora que dá uma vontade gigante e um pouco tola de sair andando.

Andando pra qualquer lugar diferente do que se está.

Eu saio andando nessas horas... Vou pra todos os lugares que tenho vontade.

Pego meu lápis, meu caderno e saio correndo bem depressa.

Sim, isso se chama fuga. Parece fraqueza mas não é, é assim que fico forte no lugar indesejado. É assim que sobrevivo.

Escrevo mares e flores pra me acalmar, escrevo músicas pra me distrair, escrevo amor pra me consolar, escrevo fogo pra me aquecer, escrevo e escrevo e consigo silêncio: consigo perdão.

No lugar indesejado cada um sai andando a sua maneira, uns com pernas, outros com acusações e eu com minhas palavras secretas.

Todos estamos neste mesmo lugar mas estamos a milhas de distâncias um do outro.

Todos temos histórias mas as mesmas não são divididas.

Todos temos medos mas estes não são curados.

Todos temos vontades mas isso não importa, nunca importa.

Todos temos carinho mas essa verdade é muda, proibida parece.

Todos temos ofensas prontas e estas como sabemos usar!

Então cada um sai andando a sua maneira.

Mas eles, eles não econtram o perdão, o silêncio.

Então gritam.

Eles não encontram a paz de espírito, então culpam.

Eles não SE encontram.

Se encontrar é enxergar não só coisas belas, então eles se escondem e mais, ocupam seu tempo com ofensas, exigências, críticas, para não se depararem com eles mesmos otra vez.

Isso é triste, mas não é preocupante. É justificável.

Não posso exigir que cada um dê conta de si mesmo, é difícil.

E pra ser bem sincera, nem quero que eles vivam a vida metafisicamente, procurando aprimorar um autoconhecimento erudito para se encontrarem tantas vezes perdidos nos recônditos de fraquezas. Mas sabe o que eu quero e peço a Deus ?

...

Que eles aprendam a se permitirem ter felicidade.

Que ouçam seus desejos, vontades e parem de seguir todas as regras, de querer acertar sempre.

Que eles não deixem que o stress, as obrigações apaguem a leveza de se rir de graça e se dar as mãos.

Que eles saibam olhar nos olhos dos filhos pra saber o que realmente são.

Que eles tenham tempo pra não fazer nada e não se impacientem com isso.

Que eles se amem e demonstrem isso, porque a vida é passageira, mais do que se pensa.

Que eles entendam que não têm que ser perfeitos, eu já entendi, não exijo isso.

Só quero e quero muito que eles sejam felizes e que não me transformem neles, porque eu NÃO sou. Eu gostaria que em vez de fugitivos fôssemos família.

Mas é fácil lamentar né, então faço o que posso, tento aproveitar ao máximo os quandos bons, e se não dá?




Eu saio andando...










quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Emoção X Razão

E na exatidão de se ser
Um pouco triste
Na retidão de se pensar
Sobre o porquê se existe
Nas certezas mais incertas...
Ouve-se uma canção trovadoresca
E o humanismo talvez já não beato e já desumano
Sente uma repulsa gigantesca
Vem um navegador classicista
O homem vai ao centro, está à vista
Mas chega o barroco e sai do centro
Teme a Deus e cede o centro a ele
E se desnorteia em seus momentos
Chega o árcade a se recordar
Denuncia tudo, menos não saber chorar
E ouvindo esse assunto vêm três românticos
O primeiro também a recordar,
Lembrar cânticos
De homens nus, vermelhos e fortes
Depois de tanta força relatada
Ela foge e deixa o segundo romântico
Sem sorte, sem nada...
Então ele vive tanto em tão pouco tempo
E chora também seu momento obscuramente, boemiamente
E ri sua morte, estava enfim com sorte
O terceiro romântico vem velá-lo e se revolta
Trabalha o seu verbo e o solta
Contando histórias tristes de pessoas felizes
Vem então os irmãos
O realista e o naturalista
Um fala dos determinantes, dos porquês
O outro vira analista
Os efeitos não surtem tanto
Mas espanto é coisa de cortiço
Cansado de cargas pesadas
Vem um parnasiano, e querendo falar de nada
Quase comete um engano
Quase faz uma jóia em vez da poesia
E gostando dos quases, dos mistérios e formas
Chega um simbolista e sendo
Um típico artista, deixa o ar de com quem se parece
E não querendo se parecer com ninguém
E querendo ainda ser eterno
Chega cheio de marra
Um poeta que se diz moderno
Briga, discute, se atreve
Fala sotaques, escreve
O que diz ser seu país
Bate o pé mas depois com bom senso
Consegue o que quis
Chega porém o seu sucessor
Um poeta um pouco mais terno
Era também um poeta que se dizia moderno
Um pouco recluso, revoltado
Navegando em si, sofrendo passados
Mas de repente chega um terceiro moderno
De coração velho e cansado
Mas de extremos tão diferentes
Ele fala da dor abstrata e dos problemas das gentes
E até se aliena um pouco, está menos exigente


Talvez este último momento, de tédio ou glória
Seja quando a razão e a emoção
Mais se tocaram na história
Mas muitos poetas loucos, certos, vivos, mortos
Alegres, tristes, cansados e tortos
Ainda virão
E revolucionarão
Esse contexo das certezas mais incertas...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Muito, muito obrigada!

Eu olho pra vida e por um instante sei que tenho a paz que eu tanto, tanto quero. Sei que ela é esperta e a qualquer momento pode fugir de mim. Mas pra mim que já fugi tanto dela, esperá-la pode ser têla. Tudo está no lugar e eu não me incomodo com isso, que avanço! Eu que não suportava a monotonia, estou me deliciando com ela. Eu que sentia dor no silêncio, estou aprendendo a contemplá-lo. Eu que tinha minha companhia como o surgir de um turbilhão de idéias errantes, exageradas, agora aprecio estar comigo e sei que isso me ensina, me modela a correr do sedentarismo e de formas fixas. Eu que me desesperava e ainda me desespero ao me deparar com problemas que atingem em cheio meus enfraquecidos princípios, sei que erro ao me desesperar. Eu reconheço que faço 'tempestade em copo d'água', e que me divirto com isso. Eu enxergo e sei que não quero ser assim. Eu quero ainda ser mais diferente do que toda essa diferença do antes que já vivo. Quero continuar com minha sensibilidade, com minha veneração ao simples e tão inédito pra mim, mas quero deixar de absorver tanto, tudo! Quero deixar de permitir que a vida me toque quando quiser, quero escolher a hora de ser tocada. Quero saber ignorar, quero saber deletar, quero saber deixar de lado e principalmente saber que eu não preciso tentar ser o melhor pra cada pessoa, momento, situação. Eu tenho que ser meu melhor pra mim, e abraçar o que restou dos meus ideais e em vez de alimentá-los, adaptá-los ao que se diz realidade. Há um tempo eu queria essa paz, alías, eu dizia que a queria mais que tudo, mas eu não estava pronta para ela, a paz era calma de mais pra minha alma que gritava loucamente vida! Liberdade! A paz dava espaço pros meus desejos, vontades, pra tudo o que o queria ser e não pra tudo o que eu devia ser. Hoje a paz é somente a paz e por isso é tão bela, grandiosa, tão repleta de um gozo por nada, tão cheia de vida, tão cheia de ar, tão cheia... tão completa. E 'você' me ensinou a amar a paz, e fez isso me amando... não poderia ter sido de um jeito melhor meu amor.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Feliz para sempre.

Tanta coisa em que eu acreditei que não é bem assim.
Tantos princípios que eu edifiquei se voltaram contra mim.
Ideais que idealizei pra crer que a vida é um mar de rosas.
Agora tantas más nótícias silenciosas
que anunciam que palavras podem apenas ter beleza,
que realidade é uma proeza se bem escrita.
E a minha educação, serviu para quê?
Aprendi a buscar o que não é pra se ter.
Comecei a enxergar o que não é de se ver.
E aquela história de que a vida sempre é tão bela ?
Não..
Também não...
...
E família não é como a da novela.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu falo

De olhos tão complexos
De cabeça raspada
De menino à homem
Do tráfico às peladas
De ideais não convexos
De fome exagerada
De pernas ágeis
De medo escondido
De mágoas frágeis
De pai foragido
De semanas iguais
De aulas matadas
De ídolo bandido
também de cabeça raspada
De mãe que se vendeu
De futuro único e certo
De quem nunca se surpreendeu
De sorrisos espertos
De boca pra fora
De relógios sem horas
De corrida contra o tempo
De contra tempo o agora que ó o mesmo de ontem
De preconceito como o próprio defeito de disseminá-lo
De educação sem nenhuma razão para ajudá-los
De vida sofrida, vida difícil
De histórias omitidas
Sacrifícios.
De olhos complexos
escondendo a ferida
De esperanças mortas
em vidas mal vividas.
De pernas ágeis e tortas
De frequentes corridas.
De talentos reprimidos
De falta de comida.
De vontade que nada vale
De padrões tão combinados
De voz que nada fale
De destinos determinados, encerrados
De soldados desse mundo
De gente que nasceu pra sofrer
De menino à homem
que quando nasce acaba de morrer
E a escolha é fria, é crua
feita por mim e por você.
Agora os meninos/homens da rua,
nunca ... nunca...
puderam escolher.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Com sequência

E na sequência dos fatos, as coisas acabam as mesmas. Eu com meu espaço e minha inconsequência. E na sequência sem rastros, do nada tudo nunca muda. Mudam-se os traços mas não as causas. Rompem-se mais laços, e eu com meu espaço talvez aos poucos menos preenchido. Um espaço cansado de mim e que vive assim, com pouco os outros e muito deles. Um pouco que apesar de eu me esforçar para torná-lo realmente muito, ainda me falta. Um pouco daquilo que na minha vida não se exalta, mas que quando se esgota, feri. Um pouco do que quanto mais eu busco, menos se expeli. Um pouco quem sabe do meu próprio veneno que retoma uma época passada ? O preço de uma, aos olhos desantentos, curta jornada ? E como sequência dos fatos vivo restrospectivamente as consquências de atos (meus e nem tão meus assim).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

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Se eu não vivesse minha vida fingindo ser poeta, não restaria absolutamente nada em mim, a não ser a vontade de fingir sê-lo. Se eu não sofresse como o poeta, minha vida se tornaria tão sofrida que eu certamente a abandonaria, não... até mesmo pra eu ter força para abandoná-la, eu teria de tentar ser como o poeta. Muitas vezes quando sou um idealizador, não crio flores, não! Idealizo a dor. Uma dor ardente e tão necessária, imprudente, avassaladora. Uma dor bonita, fugaz ou em quandos permanentes! Uma dor que esconde um sorriso, que é escondida por um olhar, uma dor que está na estrela que passa e que não volta, nunca volta, mas deixa marcado o segundo em que passou! Escolho uma vida fingida, não ignoro os devaneios, eu até os crio! Fica claro em minhas palavras, fica agitado em meu coração, eu não suporto o tédio, eu não suporto não ter nada pra não suportar! Quero o dinâmico, o envolvente! Nasci pra nunca parar...

sábado, 5 de dezembro de 2009

É, e de súbito eu não controlo mais nada, nem o meu paradigma sobre a arte de controlar. Eu não controlo o que sou, o que posso ser, não controlo meus sentimentos, reações, não controlo minhas opiniões, elas surgem... modelam-se... me escapam, retornam, agem sozinhas, e depois sem pedir permissão, habitam em mim. De repente eu estou vivendo com metafísica a menos e com naturalidade a mais. E a falta de sentido chegou até em horas a me abandonar. E o que eu achava que era, agora vejo que nem sempre é. E o que eu não admitia, chega até a me convencer. Perco minha vontade de respeitar as leis dessa selva, onde ninguém se salva. Perco cada vez mais a disposição para ser quem querem que eu seja, ou o que eu idealizo de mim. Meus instintos, não, não são automáticos! Meus preceitos não tão burocráticos! Não sou uma máquina de repetição. Nâo sou um anteparo de reflexão. Não sou o que já fui, nem o que eu serei! Sou a vida que levo com esse pseudocontrole no qual me fizeram acreditar, e eu quis, porque acreditando é mais fácil, é mais confortante. Tenho jogado fora verdades que nunca existiram. Tenho persistido a uma vida que se exime de tão bela e se retrai de tão audaciosa. Vida esta, que abriga homens que de tanto se julgarem belos e audaciosos, não conhecem a audácia do belo quando na simplicidade surge a chance de se ser um pouco feliz. A mudança pode afiar nossos sentidos, precisamos destruir nossas resistentes e restritivas barreiras!
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Quando nada é da minha conta e eu invento coisas pra pensar... quando não satisfeita com o que recebo, tento me justificar. Se tudo fosse tão exato, será que não seria bom? Se toda música que eu cantasse, tivesse o mesmo tom... talvez na persistência me entenderiam. Mas aí minha intolerância comigo seria demais. Mas eu já vejo a mesma história todo dia, então quer saber ? Tanto faz.